sexta-feira, 20 de março de 2026

Entre Conquistas e Conflitos: o Lugar das Mulheres na Atualidade


A ampliação de direitos não pode significar o apagamento de trajetórias históricas

As mulheres que lutaram para conquistar espaço e garantir seus direitos, ao longo da história, hoje se veem diante de novos e complexos debates sobre identidade e representatividade. Em muitos contextos, há a percepção de que esse espaço vem sendo tensionado pela inclusão de mulheres trans — pessoas que nasceram biologicamente do sexo masculino, mas que se identificam como mulheres.

É fundamental afirmar, antes de tudo, o respeito ao direito de cada indivíduo de viver esta vida conforme suas convicções e identidade. As mulheres trans têm o direito legítimo de lutar por reconhecimento, dignidade e inclusão. Trata-se de uma pauta relevante dentro do campo dos direitos humanos. No entanto, essa luta precisa ocorrer a partir de sua própria identidade, enquanto mulheres trans, e não pela substituição ou apropriação dos espaços historicamente conquistados pelas mulheres.

Ao longo dos séculos, as mulheres travaram batalhas fundamentais por direitos básicos. Desde o movimento sufragista, que garantiu o direito ao voto, passando pela conquista do acesso à educação, ao mercado de trabalho, à igualdade jurídica e à proteção contra a violência, até os avanços mais recentes em direitos reprodutivos e participação política. Essas conquistas foram moldadas por experiências específicas — sociais, culturais e também biológicas — como a menstruação, a gestação e as desigualdades estruturais impostas historicamente.

Por isso, a ampliação de direitos deve caminhar no sentido da inclusão, sem que haja a percepção de usurpação ou descaracterização dessas conquistas. Cada grupo possui legitimidade para reivindicar seus direitos, mas essa construção precisa respeitar os limites, as especificidades e a trajetória histórica de cada categoria.

Termos como “pessoa que gesta” ou “mulher cis” surgem como tentativas de inclusão e reconhecimento da diversidade. No entanto, para muitos, essas nomenclaturas geram desconforto ao relativizar a identidade feminina tradicional. A inclusão não precisa ocorrer por meio do apagamento, mas sim pelo reconhecimento das diferenças.

Diante disso, quando se trata de espaços institucionais — como uma Comissão da Mulher —, é legítimo questionar quais critérios definem sua composição. Se a legislação estabelece que tais espaços devem ser ocupados por mulheres, torna-se necessário um debate claro, objetivo e jurídico sobre o significado desse termo. Caso se entenda pela ampliação desse conceito, o caminho mais coerente seria a atualização da própria legislação, de modo transparente e alinhado às transformações sociais.

Alternativamente, pode-se considerar a criação de espaços próprios de representação para diferentes identidades de gênero e orientações sexuais, garantindo visibilidade e voz sem gerar conflitos de pertencimento ou sobreposição de direitos.

O reconhecimento das mulheres trans não deve implicar na diluição da identidade feminina construída historicamente pelas mulheres. Da mesma forma, a defesa dos direitos humanos deve ser ampla e inclusiva, sem desconsiderar ou enfraquecer conquistas já consolidadas.

O desafio contemporâneo não é excluir, mas equilibrar. É reconhecer que diferentes grupos possuem demandas legítimas e que a convivência social se fortalece quando há clareza, respeito mútuo e justiça. Garantir espaço, voz e direitos a todos não deve significar a anulação da história de ninguém, mas sim a construção de uma sociedade onde as diferenças coexistam com dignidade e responsabilidade.

E que, ao fim de tantas vozes que se erguem, não se cale a memória de quem abriu caminhos nem se negue a existência de quem ainda os busca.

Que o direito floresça sem arrancar raízes, e que a justiça não seja feita de substituições, mas de convivências.

Porque uma história não precisa apagar a outra para existir — basta que ambas encontrem, com respeito, o seu lugar no tempo e na vida.


18 de março de 2026
Helena Aparecida Damásio - Coronel PM
Acadêmica Fundadora da Cadeira  nº  58

terça-feira, 17 de março de 2026

Antes de Existir, Já Resistia


A história não contada do Museu da PMGO e o risco do apagamento da memória institucional.

Inspirado no artigo da Revista TERRITORIAL
Cidade de Goiás, v. 7, n. 1, p. 30-44, 2018.

Título: A IMPOPULARIDADE DO MUSEU DA POLÍCIA MILITAR NA CIDADE DE GOIÁS/GO: MOTIVOS E PERSPECTIVAS

Busquei este tema hoje por preocupar-me com o histórico da PMGO, que muitas vezes fica relegado aos domínios miúdos da caserna. Hoje, nem mesmo os jovens policiais conhecem nossas lutas, conquistas e origens.

Neste importante artigo da Revista TERRITORIAL, vi o descaso — não do artigo em si, mas de quem o respaldou internamente — ao deixar de relatar o impulso mater deste importante acervo cultural, não apenas para a instituição, mas para toda a comunidade goiana.

Algumas ações nascem miúdas e, agregadas a outros visionários, passam a ter maior amplitude e relevância. O descaso interno em historiar e preservar memórias deixa como legado a ideia de que apenas o presente é primordial, esquecendo-se de cada conquista que o sustenta.

Ninguém institui ações sem o entendimento dos fatos que as compõem. O respeito à instituição começa pelo respeito às tradições e aos registros de sua trajetória. Não é uma nomenclatura equivocada que sustenta narrativas que, por mais bem-intencionadas, relegam fatos históricos, criando cenários inverídicos e aviltando o pioneirismo e os registros relevantes para a manutenção da identidade institucional.

Nesta reflexão sobre a ausência de histórias na importante trajetória da instituição — desde o primeiro embrião do sistema de segurança pública no Estado — peço espaço para pontuar o que apreciei neste artigo:

Vejo que buscou dados relevantes sobre o nosso museu e apontou caminhos para melhorias, a fim de que sua funcionalidade se torne de conhecimento geral da sociedade. Eu apenas trocaria, no título, a palavra “Impopularidade” por “Invisibilidade”.

Quem forneceu os primeiros relatos sobre este museu, não sei dizer. Talvez por falta de conhecimento, por registros internos da APM não catalogados, ou por desconsiderar como irrelevante quem realmente deu início ao primeiro e tímido embrião deste importante espaço — também, à época, desconsiderado pela própria instituição.

Eis que este museu invisível já existia: em acervos dispersos, por vezes abandonados, mas sempre presentes — nas fotos guardadas na antiga seção da PM5 da APM, nos quadros das galerias dos quartéis, no centro acadêmico, nos equipamentos arquivados no almoxarifado, nas roupas de gala, espadins, fuzis e nas histórias contadas sobre participações relevantes em momentos que promoveram estabilidade social, em guerras, embates com indígenas e tantos outros episódios pouco conhecidos, tanto pela tropa quanto pela comunidade.

Aos meus olhos, o museu já estava ali — apenas invisível.

Vindo para minha casa, na cidade de Goiás, abri o guarda-roupa onde meu pai, apaixonado pela instituição, reservava uma porta para pendurar antigos fardamentos de sua época na caserna. Pedi a ele, e, mesmo contrariado, cedeu-me quatro conjuntos, dizendo: “daqui a três anos vão jogar no lixo”.

Chamei um amigo aspirante, formado comigo no CFO — Celso Gonçalves Borges — para pleitearmos um espaço na Academia. Ali começaríamos nosso diminuto museu, voltado inicialmente ao público interno e, quem sabe um dia, expandido para um espaço maior e mais relevante.

Fiz um pequeno ofício ao Subcomandante, Major Noronha, que levou à apreciação do Tenente-Coronel Hercílio. Para nossa surpresa, foi-nos cedido um espaço no Corpo da Guarda, à direita de quem entra na APM.

O almoxarifado contribuiu com coletes, fardamentos de gala, armas antigas e espadins. Montamos murais de insígnias militares. Tudo foi assentado em livro tombo, na esperança de dar corpo a novos registros e ver o museu crescer.

Não me recordo se houve publicação em boletim interno. Mas aquele museu já trazia ares de início — de contar e eternizar histórias, de inspirar alunos e oficiais em formação, de fomentar produções acadêmicas e fortalecer a identidade institucional.

Com o passar do tempo, todo idealizador se alegra ao ver que o embrião lançado ganha forma. Cerca de 16 ou 17 anos depois, o pequeno museu de 1991 foi apresentado em solenidade na APM, com discursos, banda e o devido reconhecimento aos organizadores.

Estive presente. Fiquei feliz ao ver que muitas das peças coletadas por mim e pelo então aspirante Celso ainda estavam ali.

Uma professora de história, convidada para estruturar o museu, aproximou-se de mim e disse, com um sorriso:

— Você faz parte desta história, não é? Eu não sabia.

Agradeci. Em seguida, um sargento comentou que, ao ouvir a conversa, fez questão de dizer a ela:

— Muitas dessas peças são do museu criado pela Major Damásio e pelo Capitão Celso.

Não vejo isso como omissão individual, mas como uma espécie de amnésia institucional — aquela que frequentemente deixa de registrar quem deu forma a iniciativas importantes.

Cito, por exemplo: o Coronel Baltazar, primeiro comandante do Colégio Militar; o Coronel Jorge Sobrinho, na implantação do policiamento aéreo; os criadores do PROERD; o Coronel Mota, com o policiamento tático motorizado — entre tantos outros que precisam ter seus feitos preservados.

Essa memória não deve ser construída com vaidade, mas com justiça.

Com orgulho, como gestora de uma escola militar, levei alunos à cidade de Goiás para conhecer museus e monumentos, incluindo o quartel da PMGO — marco do primeiro núcleo de segurança pública do Estado.

Ali, o museu deixou de ser apenas interno e tornou-se universal, aberto à comunidade e a visitantes de todo o país. Os fardamentos cedidos por meu pai ainda estavam expostos, agora integrados a outros acervos importantes.

No entanto, senti falta de contextualização: datas, autores, narrativas mais consistentes. Muitas explicações eram superficiais, revelando preparo ainda insuficiente dos guias.

Sobre a participação na Guerra do Paraguai, por exemplo, faltava clareza: à época, não existia ainda a Polícia Militar como hoje, mas sim corpos policiais provinciais, guardas nacionais e forças auxiliares, que atuavam tanto na ordem interna quanto no apoio militar.

Helena Aparecida Damásio - Coronel PM
Acadêmica Fundadora da Cadeira  nº  58

Esse período foi fundamental para Goiás, trazendo:
— fortalecimento institucional das forças policiais;
— maior militarização da segurança pública;
— experiência de combate;
— contribuição para a formação da futura PMGO.

Mesmo com tantos fatos relevantes, as narrativas apresentadas ainda carecem de profundidade.

Somam-se a isso temas pouco explorados, como:
— conflitos com indígenas na década de 1980;
— a história da Banda de Música da PMGO, tão presente nas manifestações culturais e religiosas da cidade.

Hoje, com o abandono da reforma da unidade centenária, o acervo encontra-se acumulado e esquecido em um espaço provisório que se tornou permanente.

A antiga instalação, por sua vez, caminha para a ruína — sinalizando omissão institucional, do IPHAN e da gestão estadual.

Corremos o risco de perder não apenas um prédio histórico, mas um patrimônio de memória.

E o que resta, então, pode se tornar apenas um amontoado de entulho — símbolo de desrespeito não só à instituição, mas à própria comunidade que ela serve.

Helena Aparecida Damásio - Coronel PM
Acadêmica Fundadora da Cadeira  nº  58


sábado, 28 de fevereiro de 2026

Silêncio destilado

Escombros:Sobras de vidas
Sonhos
Solidão

É preciso dizer mais?

Entre uma dose e outra
reviro restos.
Garrafas por companhia.
Esqueço dores,
arrefeço a alma.
Tudo em vão.

Falo de mim.
Do que pensei ser.
Fui?
Das escolhas
sobrou meu nada.
Saudade veio depois.

Não quero o dó
de quem passa.
O meu fel me basta.

Em meio aos escombros
recolho meus cacos,
me afogo em doses
de silêncio destilado.

É preciso dizer mais?

Não.
Divino Alves de Oliveira - Coronel PM
Acadêmico Fundador da Cadeira nº 20

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Major Eurípedes Furtuoso: Uma Vida Dedicada à Música Militar

Fundador, mestre e visionário. O Major Furtuoso foi o pilar da modernização do Corpo Musical da PMGO. Desde a criação da Banda Sinfônica até a formação de novas gerações de músicos, sua gestão humanizada quebrou paradigmas e elevou nossa música a palcos nacionais.
Seu nome agora é honraria oficial através da Medalha do Mérito Musical, reconhecendo quem, como ele, presta serviços relevantes à nossa história.

Esse grande homem, músico, Policial Militar e Pai de família exemplar, que nos deixou em 25/05/2014, partindo para levar sua musicalidade ao Oriente Eterno. Descanse em paz, Maestro!

Major PM Eurípedes Furtuoso, é Patrono da Cadeira 5, da Academia de Artes Letras Ciência e Cultura dos Militares de Goiás Mauro Borges (AGL-MB)
Fontes:

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Amor e diferenças

Quando o amor sobrepõe às diferenças,
não há muros, não há fronteiras,
apenas pontes feitas de afeto,
tecidas na coragem das mãos sinceras.

Visões distintas, olhares diversos,
mundos que dançam em ritmos próprios,
mas o amor, em sua força imensa,
une os corações, dissolve os próprios.

Não importa a cor, a crença ou o jeito,
nem caminhos que pareçam opostos,
o amor abre janelas, amplia o leito,
faz do diverso um mesmo gosto.

No encontro das diferenças, cresce a luz,
no respeito nasce a verdadeira paz,
pois o amor não se prende à razão,
ele apenas aceita e refaz.

Quando o amor sobrepõe as visões,
o mundo se torna mais vasto e inteiro,
e a alma se abre, sem condições,
para o abraço de um sonho verdadeiro.

Edno Paula Ribeiro - Major PM
Acadêmico Fundador da Cadeira nº15

O Pós Caos


Não me olhe esperando o pavio curto,
A fumaça preta ou o grito contido.
O aviso prévio já se fez absurdo,
E o que era estrondo, agora é ruído.

Eu sou a cratera, não o vulcão,
O chão que cedeu, não o peso em cima.
Não busco mais rima ou explicação,
Pois quem já partiu não teme a ruína.

Havia uma força que me sustentava,
Uma casca grossa, um muro, um degredo.
Mas a pressão, de tanto que inchava,
Levou o que eu era e também meu medo.

Não espere o susto, o baque, o trovão,
A conta chegou e o vidro partiu.
Sobrou o silêncio da devastação:
Eu sou o cara que já explodiu.

Edno Paula Ribeiro - Major PM
Acadêmico Fundador da Cadeira nº15

Quando os sinos da agonia dobram


Quando os sinos da agonia dobram,Não é só o bronze que treme no ar,
É a carne da cidade que arrepia,
É o tempo que para, para escutar.

Dobram sobre telhados e calçadas,
Sobre o riso interrompido na esquina,
Sobre o copo ainda meio cheio,
Sobre a última palavra não dita.

Cada badalada é um nome sem rosto,
Um rosto sem túmulo,
Uma história que cai do livro da vida
Sem que ninguém tenha marcado a página.

Quando os sinos da agonia dobram,
Os pássaros hesitam no voo,
Os pregadores engolem seus discursos,
E até o vento parece tirar o chapéu.

Dobram pela morte e pela culpa,
Pela fome esquecida nos becos,
Pela dor que ninguém noticia,
Pelos gritos que o mundo silenciou.

É então que a alma se vê ao espelho:
Não no vidro, mas naquilo que falta,
No abraço que nunca foi dado,
Na ponte que não saiu do papel.

Quando os sinos da agonia dobram,
Perguntam ao coração, em segredo:
Quantos mortos carregas vivos?
Quantos vivos deixaste morrer?

E se não tremes ao ouvi-los soar,
É porque já vestes luto por dentro
E nem percebeste a tua própria
Procissão passando em silêncio.

Porque esses sinos não dobram ao acaso:
Eles marcam o ponto exato
Em que a morte toca a vida,
E a vida escolhe se desperta
Ou se deita ao lado dela.

Edno Paula Ribeiro - Major PM
Acadêmico Fundador da Cadeira nº15

Ambulancioterapia: o remédio amargo da farra política

No coração do interior brasileiro, onde o asfalto some e o chão vermelho de terra grita por socorro, a saúde vira espetáculo. Não é hospital com alas cheias de remédios e médicos de plantão, não. É a ambulancioterapia, esse elixir milagroso ofertado por deputados federais, estaduais e até vereadores miúdos, que chegam em comitivas barulhentas, sirenes ligadas, prometendo salvação sobre rodas.

Imagine a cena em Itapema dos Brejos ou qualquer lugarejo esquecido: o político desce do jatinho fretado, microfones na mão, e inaugura a ambulância novinha, pintada com as cores do partido. “Olha aí, meu povo! Essa belezura leva o doente pro Hospital de Urgência onde existe recurso, num piscar de olhos!”, grita ele, enquanto a multidão aplaude, esquecendo que o posto de saúde local ainda tem fila de meses pra um raio-X. A ambulância roda por uns dias, vira selfie de campanha, e logo some na garagem da prefeitura – ou pior, é “emprestada” pra levar o prefeito em romaria. Ambulancioterapia pura: trata o sintoma com alarde, mas ignora a doença crônica da falta de estrutura.

E não para por aí. Vem a farra dos ônibus da saúde, esses colossos rodoviários que devoram milhões do erário. Chegam lotados de exames grátis: ultrassom, mamografia, dentista sorridente. “Partiu pro mutirão!”, anunciam os outdoors. O deputado estadual, suado de tanto discursar, embarca meia cidade num ônibus climatizado que ruma pra capital ou até mesmo na cidade local. Lá, num ginásio alugado, o povo faz fila pra um check-up de fim de semana. Volta com um papelzinho na mão – “Volte em 30 dias” – e o político já some, deixando o doente na mesma poeira de antes. É saúde de porteira fechada: abre só pra foto, fecha pro resto do ano.

Essa ciranda brasileira, de Itapema dos Brejos a Cantão das Onças, passando por Belos Lagos e Montes Limpos, é o retrato fiel da política do pão e circo 2.0. Deputados federais mandam verbas federais pra ambulâncias que nunca saem do perímetro eleitoral; estaduais articulam emendas pra ônibus que param na eleição seguinte; vereadores, coitados, pedem carona na farra pra posar de heróis locais. Tudo isso enquanto o SAMU estadual engasga em falta de combustível, e o hospital municipal vira depósito de almas penadas.

No fim, o brasileiro interiorano ri pra não chorar. Sabe que a ambulância não cura o câncer da negligência, e o ônibus da saúde não pavimenta estradas pro futuro. É farra de sirene e diesel, mas o verdadeiro remédio – investimento em gente, em UPAs permanentes, em médicos que fiquem – continua engavetado na gaveta dos interesses. Quem dera um dia a política trocasse o holofote pelo bisturi de verdade.

Edno Paula Ribeiro - Major PM
Acadêmico Fundador da Cadeira nº15

Os festejos natalinos e ano novo, em tempos de extremismos políticos

Natal em chamas políticas

Nas ruas de Cantão das Onças ou Itapema dos Brejos, onde o sereno goiano ainda resiste ao calor das paixões ideológicas, o Natal chega como um mensageiro teimoso de paz. As luzes piscam nas fachadas das casas humildes, enfeites de palha e papel crepom pendurados com mãos calejadas de trabalho público. Famílias se reúnem à mesa, o cheiro de peru assado misturando-se ao de rabanadas, e por um instante, o mundo lá fora parece distante. "Paz na terra aos homens de boa vontade", entoa o padre na missa do galo, ecoando Mateus em meio a velas tremulantes. Mas boa vontade? Em tempos de extremismos, essa frase soa como ironia.

Os extremismos políticos, esses ventos furiosos que varrem o Brasil de norte a sul, infiltram-se até nas ceias. No WhatsApp, tios bolsonaristas trocam memes furiosos contra "comunistas petistas", enquanto primos lulistas respondem com áudios inflamados sobre "golpistas fascistas". A televisão, ao fundo, alterna entre o Papai Noel comercial e debates raivosos, onde analistas gritam uns sobre os outros como cães latindo para sombras. O extremismo não poupa nem o Menino Jesus: uns o reclamam como mascote da direita moralista, outros como ícone da esquerda igualitária. E assim, o presépio vira ringue, o presépio de Belém transformado em Brasília de ódios.

A passagem de ano agrava o drama. Fogos estouram no céu de Goiás, prometendo renovação, mas o calendário novo carrega as mesmas divisões. Contamos regressivamente – dez, nove, oito – e brindamos com espumante barato, desejando prosperidade. No entanto, o extremismo sussurra: "Só para os nossos". Redes sociais explodem com promessas de "limpeza geral" em 2026, uns sonhando com interventores, outros com reformas radicais. Esquecemos que o ano novo não apaga cicatrizes; ele apenas veste as velhas feridas com confetes. Em cidades como as nossas, onde a política local ainda pulsa em vereanças e prefeituras, o extremismo se alastra como seca, polarizando até as quadrilhas juninas do futuro.

Mas há esperança no ar natalino, fina como o orvalho matinal. Imagine se, entre o peru e o panetone, ousássemos silenciar os celulares? Se, na virada, trocássemos gritos por abraços, memes por memórias? Os festejos nos lembram que o humano precede o ideológico. Em tempos de extremismos, o Natal e o Ano Novo não são feriados vazios; são convites à trégua. Que os fogos iluminem não vitórias partidárias, mas a possibilidade de diálogo. Afinal, na mesa da vida, cabemos todos – ou pelo menos deveríamos tentar.

Edno Paula Ribeiro - Major PM
Acadêmico Fundador da Cadeira nº15

O Silêncio das Cores


Quando o sol nasce e o dia não desperta,
E o cinza cobre o que antes tinha cor,
A alma vaga, uma porta entreaberta,
Onde o frio entra e congela o calor.

O relógio insiste em seu tique-taque,
Mas o tempo parece não caminhar,
Somos peças soltas num tabuleiro de xeque,
Sem rei, sem rainha, sem lugar para estar.

Os sorrisos tornam-se gestos treinados,
Máscaras vestidas por pura obrigação,
Caminhamos em trilhos, passos pesados,
No piloto automático da solidão.

O “porquê” se cala, o “para quê” se esconde,
E as metas de ontem viram pó na estante.
A voz pergunta, mas ninguém responde,
Tudo é vasto, mas nada é o bastante.

Porém, no fundo desse poço mudo,
Onde a bússola gira sem apontar o norte,
Talvez perder o sentido de tudo
Seja o jeito da vida nos fazer mais forte.

Pois é no quadro em branco, sem pintura,
Que se pode criar um desenho novo.
O vazio assusta, traz amargura,
Mas é o espaço limpo para nascer de novo.

Respire fundo, deixe o tempo ser nada,
Não busque respostas na pressa ou na dor.
Às vezes, a pausa é a própria estrada,
Até que a vida, sozinha, reencontre a cor.
Edno Paula Ribeiro - Major PM 
Acadêmico Fundador da Cadeira nº15

RECONSTRUÇÃO


Catei pedaços de mim.
Espalhados
pelos cantos
onde andei.

Vestígios.
Vestes rasgadas.
Versões minhas
que ficaram pelo chão.

Cada qual com sua dor.
Dor que lateja.
Dor que cala.
Dor que aprende a respirar sozinha.

E eu…
juntando cacos
com mãos trêmulas
e coragem nascente.

Quando os reuni,
um a um,
entre lágrimas e lucidez,
descobri:

Não eram ruínas.
Eram alicerces
Inteiros…
não apesar das chagas,
mas por causa delas.

Eu me permiti dilacerar.
Eu.
Rasguei sonhos não sonhados.
Enterrei projetos não realizados.

Silenciei desejos que pediam voo.
Fui me desfragmentando
ao longo da estrada,
feito vidro fino
sob passos apressados.

E quando pensei
ter chegado ao fim…
Era apenas sombra
diante do cume.

Espectadora
da minha própria existência.
Um espectro vazio
ansiando por
sol,
chuva,
vento,
vida.

Fiquei anos
sem olhar no espelho.
Anos.
Temia o vazio
que eu mesma alimentava.

Mas hoje,
eu sustento o olhar.
Amo meu reflexo.
Porque ele me desafia.

Ele me chama.
Ele me lembra
que enquanto houver fôlego,
eu não retrocedo.

Enquanto o peito pulsa,
eu avanço.
Não é tarde.
Nunca foi.

Ainda posso viver.
Viver de dentro para fora.
Ouvir meu coração pulsar
não por sobrevivência,
mas por paz.

Paz que não implora.
Paz que não se esconde.
Paz inteira.
Paz viva.

Helena Aparecida Damásio - Coronel PM
Acadêmica Fundadora da Cadeira nº 58

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Temos uma dívida com Bernardo Élis


Quero usar este espaço na revista Leitura Estratégica para, eventualmente, falarmos da nossa goianidade, cultura e formação da nossa sociedade. Hoje, vou abrir com um ícone da literatura brasileira, nosso Bernardo Élis, que não foi apenas o maior escritor goiano do século XX, foi, sobretudo, o primeiro a revelar Goiás ao Brasil sem pedir licença e sem pedir desculpas. 

A obra de Bernardo Élis não buscou embelezar o sertão, mas expô-lo, sem ser o sertão fictício, heroico ou folclórico, mas o sertão verdadeiro, bruto, duro, violento, desigual e humano. Aliás, em nossas conversas com avós e outros antepassados, podemos sentir o cheiro desta literatura, que parece distante, mas tem traços da nossa vida e história. 

Contando um pouco dele, Bernardo nasceu, em 1915, em Corumbá de Goiás, e faz parte de uma geração que viveu a transição mais radical da história do Estado. Ele presenciou o fim do ciclo colonial tardio (pois o começo do século passado ainda tinha resquícios do Brasil antigo em nossa sociedade, apesar de já estarmos na Era Republicana), a decadência da antiga capital e o nascimento de Goiânia, inaugurada como promessa de modernidade em meio a um território. 

Viveu um Goiás que deixava de ser fim de mundo para se tornar passagem, estrada, plantação e boiada – e começava a despertar um modelo econômico que se firma de meados do século para frente. Depois, testemunhou a construção de Brasília, em 1960, que deslocaria definitivamente o eixo político e simbólico da região. Goiás entra no mapa –, meio que de carona. 

A literatura de Bernardo nasce nessa fratura histórica. Do Goiás velho (e não estou falando da cidade) para o Goiás novo. Enquanto o discurso oficial falava em progresso, integração e futuro, Bernardo Élis registrava o que permanecia intacto: o coronelismo, o abandono, a brutalidade cotidiana e a solidão humana. 

Em seu livro mais emblemático, “O Tronco”, de 1956, o autor marca Goiás na literatura nacional, com contundência, mostra o violento interior brasileiro. Merece a atenção como livro fundamental para ser goiano. Não é um episódio local ou regional. É a formação da sociedade brasileira na veia, daquele mundo rural dominante e o poder político, o Brasil que se tinha na forma crua e nua – em letras goianas que ganharam o mundo da literatura.  

Como ele não escreveu para agradar os poderosos, agradou o mundo da literatura. Ele escreveu para testemunhar e transcendeu Goiás. Gosto de duas definições, não sei onde li, que, em Bernardo Élis, “cada frase carrega o peso do silêncio que dominava a vida no interior”, e que ele está na galeria dos grandes intérpretes do Brasil, sentado ao lado de Graciliano Ramos e João Guimarães Rosa. Eles compreenderam e traduziram o interior – o núcleo formador do Brasil.

Bernardo foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1975, um marco histórico. O autor se tornou o primeiro e único goiano a ocupar uma cadeira na instituição que simboliza o reconhecimento máximo da literatura nacional. Não foi uma conquista pessoal, foi a admissão formal de que o Brasil também se escreve a partir do Centro-Oeste. 

Bernado e sua escrita, seca, econômica e precisa, são mais citados que lidos – infelizmente. Coloquem em sua lista de leitura ou releituras, em 2026, com urgência, O Tronco. Não é um convite, é uma intimação – precisamos pagar essa dívida com Bernardo Élis. Vamos fazer esse acordo?


Dr Juscimar Pinto Ribeiro
Acadêmico Fundador da Cadeira nº 41
Advogado especialista em Direito Administrativo e Direito Constitucional
Fonte: Revista Leitura Estratégica


 

Alquimia da sedução


Verdade,
mentira?
Qual?
A minha
ou a sua?

A cada insight,
uma versão.
Realidades que invento.
A cada ouvido,
uma melodia.

Flauta de Pan:
encantamento,
sedução,
doce som
a gerar ilusões.
Partitura de tinta e bile.

Visual?
Auditivo?
Sinestésico?
Qual o seu gosto?

Na flecha lançada,
a gota certa do veneno.
Na minha ilusão,
espelho seus sonhos.

Verdade ou mentira?
Perfeita armadilha.
Pouco importa.
Feitiço lançado:
Música aos seus ouvidos.
Alquimia da sedução.

Divino Alves de Oliveira - Coronel PM
Acadêmico Fundador da Cadeira nº 20


Véu do palco

Na entropia da vida
descerram-se cortinas.
Numa constante encenação,
múltiplos palcos.
Véus de ilusão
a revelar e esconder
realidades menos amenas.
Tudo é teatro.

Numa coreografia do cotidiano,
ao mesmo tempo,
sou ator e roteirista.
Filtro o abismo.
Fabrico ilusões:
sofrimento em drama,
perda em poesia,
tédio em rotina.

Em cada máscara,
consciências diferentes,
um mundo de sonhos:
plateia,
trama,
ribalta,
coxia.

Que peça enceno agora?
Que roteiros escrevi e escreverei?

A cada roteiro,
um novo véu
a tornar menos entrópica
a realidade que insiste em se desvelar.

Divino Alves de Oliveira - Coronel PM
Acadêmico Fundador da Cadeira nº 20



 

A Mó


Aos ouvidos,
pedras em sincronia.
O canto de sereia,
seduz almas em queda.
Retórica do vazio.

Diante dos olhos,
o mundo se desnuda.
Bocas repletas de sofismos.
Venenos adocicados.
Ópio social.

Nos ombros,
o eu coletivo,
apegos,
desejos do ter,
pesando.

Na boca, a bile arde.
Na garganta,
gosto de fel.

Ralo gravitacional.
Força a tudo puxar.
Pedras de moinho a girar.

No centro do abismo,
idolatria .
Mundo que se fere
não se cura.

Náusea espiritual.
Desfaço-me em vômitos.
Asco.

Em meio às agruras do tempo,
a mó continua,
a triturar almas e sonhos.

Divino Alves de Oliveira
Acadêmico Fundador da Cadeira nº 20
 

quarta-feira, 2 de abril de 2025

DISCURSO DE POSSE NA CADEIRA Nº 08 BERNARDO ÉLIS, DA ACADEMIA GOIANA DE LETRAS MILITAR


Senhoras e senhores,

Acadêmicos e Acadêmicas,

Ilustres convidados,

É com profunda honra e um imenso senso de responsabilidade que ocupo hoje esta tribuna, ingressando na Academia Goiana de Letras Militar. Ao ser distinguida com a cadeira cujo patrono é Bernardo Élis, sou tomada por um misto de gratidão, orgulho e compromisso. Gratidão a esta instituição e a todos que confiaram em mim para integrar este seleto grupo de homens e mulheres dedicados às letras.

Orgulho por me tornar parte de uma tradição que valoriza a literatura, a cultura e o pensamento crítico. E compromisso, porque sei que esta cadeira que hoje passo a ocupar não é apenas um assento simbólico, mas um espaço de dever intelectual e literário.

Falar de Bernardo Élis é falar da essência da literatura goiana e da grandeza da narrativa regionalista. Foi ele o único escritor goiano a conquistar o prêmio jabuti, levando-o por duas vezes, e a integrar a academia brasileira de letras, conduzindo para o centro do cenário literário nacional a força das terras de Goiás e o drama de seu povo.

Bernardo Élis foi um cronista implacável das injustiças, um narrador que deu voz aos oprimidos e que soube, como poucos, traduzir a alma dos sertões goianos em palavras. Em sua obra, vemos o retrato fiel das agruras do homem do campo, das lutas de posseiros, da brutalidade dos grandes latifundiários, das desigualdades sociais e da resistência dos esquecidos pela história oficial.

Nascido em 1915, em Corumbá de Goiás, Bernardo Élis cresceu absorvendo as paisagens, os tipos humanos e os conflitos de sua terra. Como professor e funcionário público, percorreu goiás e pôde ver de perto as contradições do progresso e os dramas que marcam o interior brasileiro. Essa vivência está impregnada em suas obras, especialmente nos contos e romances que deram a ele um lugar de destaque na literatura nacional.

Sua escrita vigorosa e sua sensibilidade social se expressam magistralmente em livros como O Tronco, talvez sua obra mais conhecida, na qual denuncia a truculência de grandes fazendeiros, num episódio que ecoa tragédias reais da nossa história.

Nesse romance, Bernardo Élis nos presenteia com palavras que são um retrato de sua visão crítica e de sua arte de contar histórias:

“Pois digo mais: quem tem a alma dominada pelo terror perde a própria personalidade, como os corpos que são queimados e viram um só pó.” (O Tronco)

Essa frase ressoa como um alerta sobre os efeitos da violência e do medo sobre o ser humano, algo que ele expôs de forma magistral em sua literatura. Seu compromisso com a verdade e sua capacidade de dar voz aos silenciados fazem de sua obra um documento vivo da nossa história.

Foi essa força literária que o levou a ser eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 1 em 23 de outubro de 1975. Sua eleição, no entanto, não foi apenas um reconhecimento do seu talento, mas também um episódio marcante da história literária e política do brasil. Seu principal concorrente era Juscelino Kubitschek, ex-presidente darepública, um verdadeiro democrata, um homem cuja trajetória parecia fazê-lo imbatível.

No entanto, naquele pleito histórico, Bernardo Élis venceu JK por uma diferença de apenas dois votos. A derrota de Juscelino foi a única de sua vida nas urnas.

Com essa vitória apertada, Bernardo Élis assumiu sua cadeirana ABL. Esse ano comemoramos 50 anos de sua posse. E, mais do que um acadêmico, tornou-se um símbolo da força da literatura regionalista dentro do cenário nacional. Durante sua trajetória na ABL, manteve-se fiel à sua visão de mundo,defendendo a literatura como ferramenta de denúncia e reflexão, e sempre honrando sua origem e seu povo.

Mas se a história de Bernardo Élis é uma história de luta e resistência, também precisamos lembrar das muitas mulheres que, ao longo da nossa trajetória literária e social, enfrentaram desafios imensos para conquistar o direito à educação, à escrita e ao reconhecimento intelectual.

Por muito tempo, as letras foram um espaço predominantemente masculino. Mulheres que ousaram escrever tiveram que assinar com pseudônimos, esconder suas identidades ou lutar contra a desvalorização de suas obras. A literatura feminina, muitas vezes, foi rotulada como menor, como um exercício de sensibilidade, e não de pensamento crítico ou poder narrativo.

Hoje, ao assumir esta cadeira, faço questão de lembrar as escritoras goianas, brasileiras e do mundo, que pavimentaram o caminho para que nós, mulheres, pudéssemos estar aqui. Mulheres como Cora Coralina, que, com sua poesia límpida e verdadeira, mostrou a grandeza do cotidiano e a força da mulher simples do interior.

Nos sertões de Bernardo Élis, as mulheres também enfrentavam suas batalhas. Eram esposas, mães, filhas que sofriam sob o peso da brutalidade e do poder dos misóginos da época. Mas também eram figuras de resistência, que, apesar da dureza da vida, encontravam meios de lutar e sobreviver.

Ao assumir esta cadeira, sinto-me não apenas herdeira de sua tradição literária, mas também responsável por manter vivo o espírito questionador e combativo de sua obra. A Academia Goiana de Letras Militar, ao reunir escritores e pensadores ligados à vida castrense e à literatura, representa um espaço onde cultura e disciplina, história e narrativa se entrelaçam.

A literatura e a vida militar compartilham um mesmo princípio: ambas exigem coragem. A coragem de quem empunha a pena não é menor que a de quem empunha a espada. Ambas são armas contra o esquecimento e contra as injustiças do tempo.

Assim como um soldado não recua diante da batalha, uma escritora não pode recuar diante da verdade. Bernardo Élis nos ensinou que a palavra tem poder, que a literatura é um território de luta e que o escritor, quando fiel ao seu tempo e à sua gente, pode se tornar imortal. E é essa imortalidade, conquistada pelo talento e pela honestidade literária, que hoje celebramos ao reverenciá-lo.

Honra-me profundamente ser guardiã deste legado, nesta Academia que preserva não apenas o estudo das letras, mas também o espírito de serviço, de disciplina e de amor à pátria.

Que esta cadeira seja um espaço de reflexão e de compromisso com a literatura e com os valores que nos unem como nação e como homens e mulheres de letras.

Que possamos, juntos, continuar escrevendo a história com coragem, verdade e paixão.

Muito obrigada.
Larissa Oliveira
Acadêmica Fundadora da Cadeira nº 08

DISCURSO EM RECEPÇÃO AOS NOVOS ANHANGUERAS DA ACADEMIA MILITAR GOIANA DE LETRAS, LARISSA DE OLIVEIRA E EDNO PAULA RIBEIRO.

 

Senhoras senhores boa noite! 


Gostaria de cumprimentar e nominar uma por uma as autoridades e convidados que aqui comparecem para a solenidade de posse de novos acadêmicos na  Academia Goiana de Letras, Ciência e Cultura dos Militares do Estado de Goiás Coronel Mauro Borges Teixeira – AGL-MB e ao lançamento do Ano Cultural Bernardo Élis e que nesse ano da graça de 2025, completa 50 anos de sua posse na Academia Brasileira de Letras, mas por amor ao tempo, deixo de fazê-lo, cumprimentando em nome de todos o Senhor Coronel Marcelo Granja, Comandante Geral da PMGO.

DISCURSO DE POSSE NA CADEIRA Nº 15 WALDOMIRO BARIANI ORETÊNCIO, DA ACADEMIA GOIANA DE LETRAS MILITAR



Senhoras e Senhores, boa noite,

Neste momento tão solene peço vênia, para que em seu nome, senhor presidente, Coronel José Lemos da Silva Filho, possa cumprimentar aos insignes componentes desta mui digna mesa diretora, e estender estes cumprimentos aos digníssimos confrades e confreiras, membros titulares desta colenda Academia Goiana de Letras Ciências e Cultura dos Militares do Estado de Goiás - Coronel Mauro Borges Teixeira, e, nas pessoas da minha amada esposa Zenilda Peres Cruvinel Ribeiro e minhas filhas Carollinne e Laís, cumprimento todas e todos os presentes nesse momento de celebração e especial alegria desse caboclo iporaense, filho de Edson Paes Ribeiro, pequeno produtor rural e Divina Paula Ribeiro, mulher de fina sensibilidade e de forte presença na construção da sua família e educação dos seus filhos.

É, O TEMPO...

É, o tempo... esse enigma que nos escapa entre os dedos, essa ilusão que insistimos em perseguir.

Tempo que se esvai como areia fina, que nos rouba momentos preciosos, que nos deixa com a sensação de incompletude.

segunda-feira, 24 de março de 2025

PRETÉRITO PERFEITO

As crianças brincam na casa da vó, 

A primavera passou, virou só pó. 

Andorinhas no céu seguem dançando, 

E o verão no horizonte já chegando. 

Entre Conquistas e Conflitos: o Lugar das Mulheres na Atualidade

A ampliação de direitos não pode significar o apagamento de trajetórias históricas As mulheres que lutaram para conquistar espaço e garantir...