segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

O Silêncio das Cores


Quando o sol nasce e o dia não desperta,
E o cinza cobre o que antes tinha cor,
A alma vaga, uma porta entreaberta,
Onde o frio entra e congela o calor.

O relógio insiste em seu tique-taque,
Mas o tempo parece não caminhar,
Somos peças soltas num tabuleiro de xeque,
Sem rei, sem rainha, sem lugar para estar.

Os sorrisos tornam-se gestos treinados,
Máscaras vestidas por pura obrigação,
Caminhamos em trilhos, passos pesados,
No piloto automático da solidão.

O “porquê” se cala, o “para quê” se esconde,
E as metas de ontem viram pó na estante.
A voz pergunta, mas ninguém responde,
Tudo é vasto, mas nada é o bastante.

Porém, no fundo desse poço mudo,
Onde a bússola gira sem apontar o norte,
Talvez perder o sentido de tudo
Seja o jeito da vida nos fazer mais forte.

Pois é no quadro em branco, sem pintura,
Que se pode criar um desenho novo.
O vazio assusta, traz amargura,
Mas é o espaço limpo para nascer de novo.

Respire fundo, deixe o tempo ser nada,
Não busque respostas na pressa ou na dor.
Às vezes, a pausa é a própria estrada,
Até que a vida, sozinha, reencontre a cor.
Edno Paula Ribeiro - Major PM 
Acadêmico Fundador da Cadeira nº15

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