Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Silêncio destilado


Escombros:
Sobras de vidas
Sonhos
Solidão

É preciso dizer mais?

Entre uma dose e outra
reviro restos.
Garrafas por companhia.
Esqueço dores,
arrefeço a alma.
Tudo em vão.

Falo de mim.
Do que pensei ser.
Fui?
Das escolhas
sobrou meu nada.
Saudade veio depois.

Não quero o dó
de quem passa.
O meu fel me basta.

Em meio aos escombros
recolho meus cacos,
me afogo em doses
de silêncio destilado.

É preciso dizer mais?

Não.




Divino Alves de Oliveira - Coronel PM
Acadêmico Fundador da Cadeira nº 20

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Amor e diferenças

Quando o amor sobrepõe às diferenças,
não há muros, não há fronteiras,
apenas pontes feitas de afeto,
tecidas na coragem das mãos sinceras.

Visões distintas, olhares diversos,
mundos que dançam em ritmos próprios,
mas o amor, em sua força imensa,
une os corações, dissolve os próprios.

Não importa a cor, a crença ou o jeito,
nem caminhos que pareçam opostos,
o amor abre janelas, amplia o leito,
faz do diverso um mesmo gosto.

No encontro das diferenças, cresce a luz,
no respeito nasce a verdadeira paz,
pois o amor não se prende à razão,
ele apenas aceita e refaz.

Quando o amor sobrepõe as visões,
o mundo se torna mais vasto e inteiro,
e a alma se abre, sem condições,
para o abraço de um sonho verdadeiro.

Edno Paula Ribeiro - Major PM
Acadêmico Fundador da Cadeira nº15

O Pós Caos


Não me olhe esperando o pavio curto,
A fumaça preta ou o grito contido.
O aviso prévio já se fez absurdo,
E o que era estrondo, agora é ruído.

Eu sou a cratera, não o vulcão,
O chão que cedeu, não o peso em cima.
Não busco mais rima ou explicação,
Pois quem já partiu não teme a ruína.

Havia uma força que me sustentava,
Uma casca grossa, um muro, um degredo.
Mas a pressão, de tanto que inchava,
Levou o que eu era e também meu medo.

Não espere o susto, o baque, o trovão,
A conta chegou e o vidro partiu.
Sobrou o silêncio da devastação:
Eu sou o cara que já explodiu.

Edno Paula Ribeiro - Major PM
Acadêmico Fundador da Cadeira nº15

Quando os sinos da agonia dobram


Quando os sinos da agonia dobram,Não é só o bronze que treme no ar,
É a carne da cidade que arrepia,
É o tempo que para, para escutar.

Dobram sobre telhados e calçadas,
Sobre o riso interrompido na esquina,
Sobre o copo ainda meio cheio,
Sobre a última palavra não dita.

Cada badalada é um nome sem rosto,
Um rosto sem túmulo,
Uma história que cai do livro da vida
Sem que ninguém tenha marcado a página.

Quando os sinos da agonia dobram,
Os pássaros hesitam no voo,
Os pregadores engolem seus discursos,
E até o vento parece tirar o chapéu.

Dobram pela morte e pela culpa,
Pela fome esquecida nos becos,
Pela dor que ninguém noticia,
Pelos gritos que o mundo silenciou.

É então que a alma se vê ao espelho:
Não no vidro, mas naquilo que falta,
No abraço que nunca foi dado,
Na ponte que não saiu do papel.

Quando os sinos da agonia dobram,
Perguntam ao coração, em segredo:
Quantos mortos carregas vivos?
Quantos vivos deixaste morrer?

E se não tremes ao ouvi-los soar,
É porque já vestes luto por dentro
E nem percebeste a tua própria
Procissão passando em silêncio.

Porque esses sinos não dobram ao acaso:
Eles marcam o ponto exato
Em que a morte toca a vida,
E a vida escolhe se desperta
Ou se deita ao lado dela.

Edno Paula Ribeiro - Major PM
Acadêmico Fundador da Cadeira nº15

O Silêncio das Cores


Quando o sol nasce e o dia não desperta,
E o cinza cobre o que antes tinha cor,
A alma vaga, uma porta entreaberta,
Onde o frio entra e congela o calor.

O relógio insiste em seu tique-taque,
Mas o tempo parece não caminhar,
Somos peças soltas num tabuleiro de xeque,
Sem rei, sem rainha, sem lugar para estar.

Os sorrisos tornam-se gestos treinados,
Máscaras vestidas por pura obrigação,
Caminhamos em trilhos, passos pesados,
No piloto automático da solidão.

O “porquê” se cala, o “para quê” se esconde,
E as metas de ontem viram pó na estante.
A voz pergunta, mas ninguém responde,
Tudo é vasto, mas nada é o bastante.

Porém, no fundo desse poço mudo,
Onde a bússola gira sem apontar o norte,
Talvez perder o sentido de tudo
Seja o jeito da vida nos fazer mais forte.

Pois é no quadro em branco, sem pintura,
Que se pode criar um desenho novo.
O vazio assusta, traz amargura,
Mas é o espaço limpo para nascer de novo.

Respire fundo, deixe o tempo ser nada,
Não busque respostas na pressa ou na dor.
Às vezes, a pausa é a própria estrada,
Até que a vida, sozinha, reencontre a cor.
Edno Paula Ribeiro - Major PM 
Acadêmico Fundador da Cadeira nº15

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Alquimia da sedução


Verdade,
mentira?
Qual?
A minha
ou a sua?

A cada insight,
uma versão.
Realidades que invento.
A cada ouvido,
uma melodia.

Flauta de Pan:
encantamento,
sedução,
doce som
a gerar ilusões.
Partitura de tinta e bile.

Visual?
Auditivo?
Sinestésico?
Qual o seu gosto?

Na flecha lançada,
a gota certa do veneno.
Na minha ilusão,
espelho seus sonhos.

Verdade ou mentira?
Perfeita armadilha.
Pouco importa.
Feitiço lançado:
Música aos seus ouvidos.
Alquimia da sedução.

Divino Alves de Oliveira - Coronel PM
Acadêmico Fundador da Cadeira nº 20


Véu do palco

Na entropia da vida
descerram-se cortinas.
Numa constante encenação,
múltiplos palcos.
Véus de ilusão
a revelar e esconder
realidades menos amenas.
Tudo é teatro.

Numa coreografia do cotidiano,
ao mesmo tempo,
sou ator e roteirista.
Filtro o abismo.
Fabrico ilusões:
sofrimento em drama,
perda em poesia,
tédio em rotina.

Em cada máscara,
consciências diferentes,
um mundo de sonhos:
plateia,
trama,
ribalta,
coxia.

Que peça enceno agora?
Que roteiros escrevi e escreverei?

A cada roteiro,
um novo véu
a tornar menos entrópica
a realidade que insiste em se desvelar.

Divino Alves de Oliveira - Coronel PM
Acadêmico Fundador da Cadeira nº 20



 

A Mó


Aos ouvidos,
pedras em sincronia.
O canto de sereia,
seduz almas em queda.
Retórica do vazio.

Diante dos olhos,
o mundo se desnuda.
Bocas repletas de sofismos.
Venenos adocicados.
Ópio social.

Nos ombros,
o eu coletivo,
apegos,
desejos do ter,
pesando.

Na boca, a bile arde.
Na garganta,
gosto de fel.

Ralo gravitacional.
Força a tudo puxar.
Pedras de moinho a girar.

No centro do abismo,
idolatria .
Mundo que se fere
não se cura.

Náusea espiritual.
Desfaço-me em vômitos.
Asco.

Em meio às agruras do tempo,
a mó continua,
a triturar almas e sonhos.

Divino Alves de Oliveira
Acadêmico Fundador da Cadeira nº 20
 

segunda-feira, 24 de março de 2025

PRETÉRITO PERFEITO

As crianças brincam na casa da vó, 

A primavera passou, virou só pó. 

Andorinhas no céu seguem dançando, 

E o verão no horizonte já chegando. 

domingo, 23 de março de 2025

ESCRITA, METÁSTASE DO SENTIMENTO

 

Na alma, a semente do sentir germina,

Um pulsar que no peito se alinha.

Mas, preso em si, o sentimento definha,

Se a escrita não o liberta, não o ilumina.

sábado, 15 de março de 2025

LUZ NO FIM DO TÚNEL

Sinto-me angustiado, como se um peso invisível me esmagasse o peito.

Magoado, com a alma ferida por palavras e ações que não compreendo. 

A dor é profunda, constante, e a incerteza do motivo me consome.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

RESILIÊNCIA GOIANA

 

Já não sinto minhas pernas

Dessa vez o corte foi profundo 

Dessa vez o chão é todo meu

Descartei a possibilidade de andar

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

TODOS OS "EUS"

 

Do fundo do poço  ainda ouço 

Grito esgoelado

Moendo memória de tempo ido  

Destruído

E deixado destroços 

em desalinho pelo caminho.  

Do fundo do poço ainda ouço

sábado, 15 de fevereiro de 2025

LINHAS

Há dias que a linha é reta e perde-se de vista,

Outros, valseando em curvas, como dança imprevista.

E há aqueles dias em que a linha se faz nó…

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

sábado, 8 de fevereiro de 2025

O TILINTAR DOS METAIS

O tilintar dos metais, sinfonia urbana,

Na bigorna, na roda, no trilho que avança.

Martelo e aço, canção que ecoa,

No ritmo do trabalho, que a vida sustenta.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

MORTE, ENIGMA INDECIFRÁVEL

Em teu abraço frio, encontro o meu destino,

Morte, parceira da vida, em ti me reclino.

Não te temo, pois sei que és a passagem,

Para um novo horizonte, uma nova viagem.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

O DIVAGAR DA MENTE

Em meu leito de insônia,

Remoendo ideias vans,

A mente divaga, insone,

Em pensamentos que são vãos.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

NOSSO QUARTO

Apenas um quarto com quatro paredes,

porta, janela, chão e teto

em recanto do mundo, desocupado,

incrustado a todo o tempo

dimensionado no espaço

e enorme desejo de ser ocupado.

Silêncio destilado

Escombros: Sobras de vidas Sonhos Solidão É preciso dizer mais? Entre uma dose e outra reviro restos. Garrafas por companhia. Esqueço dores,...