domingo, 22 de fevereiro de 2026

A Mó


Aos ouvidos,
pedras em sincronia.
O canto de sereia,
seduz almas em queda.
Retórica do vazio.

Diante dos olhos,
o mundo se desnuda.
Bocas repletas de sofismos.
Venenos adocicados.
Ópio social.

Nos ombros,
o eu coletivo,
apegos,
desejos do ter,
pesando.

Na boca, a bile arde.
Na garganta,
gosto de fel.

Ralo gravitacional.
Força a tudo puxar.
Pedras de moinho a girar.

No centro do abismo,
idolatria .
Mundo que se fere
não se cura.

Náusea espiritual.
Desfaço-me em vômitos.
Asco.

Em meio às agruras do tempo,
a mó continua,
a triturar almas e sonhos.

Divino Alves de Oliveira
Acadêmico Fundador da Cadeira nº 20
 

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