Dizia o mofado (mas certeiro) personagem de Al Pacino que a vaidade era seu pecado predileto. Assino embaixo, com caneta tinteiro e uma caligrafia impecável que, secretamente, espero que você elogie. A vaidade é o pecado "limpo". Não tem a lambança da gula, nem o cansaço da ira; é um pecado que se veste bem, usa perfume caro e gosta de ser notado, mesmo quando finge que está apenas "de passagem".
Destina-se à publicações da Academia Goiana de Letras Ciência e Cultura dos Militares do Estado de Goiás - Coronel Mauro Borges Teixeira.
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Crônica: O espelho e a máscara, uma confissão "Umirde".
Dizia o mofado (mas certeiro) personagem de Al Pacino que a vaidade era seu pecado predileto. Assino embaixo, com caneta tinteiro e uma caligrafia impecável que, secretamente, espero que você elogie. A vaidade é o pecado "limpo". Não tem a lambança da gula, nem o cansaço da ira; é um pecado que se veste bem, usa perfume caro e gosta de ser notado, mesmo quando finge que está apenas "de passagem".
Autorretrato
Narciso,
Não me alcanço.
Hoje sei quem não sou.
Não sou areia da ampulheta,
haicai perfeito,
nota no diapasão.
Recuso a contagem do tempo,
a forma ideal,
a perfeição.
Não sou o padrão,
sem vibração.
Culto da perfeição.
Fetiche do ser.
Vibro fora.
Sou a antítese.
Relógio atrasado.
Perene desarmonia.
Sou a descriação.
Retocar
mágoa impregnada.
repintar?
entre pincéis,
silêncio.
da paleta,
escorrem
tintas,
lembranças?
lágrimas,
aguarrás.
Soneto à Persefone e Hades
Nos reinos sombrios, onde a sombra habita,
Persefone dança, flor que nunca se apaga,
A luz do verão, em seu ser, se agita,
Mas ao outono, seu encanto se entrega.
Hades, senhor das almas, em seu trono,
Recebe a rainha com amor profundo,
No mundo subterrâneo, o amor é o dono,
E a vida e a morte se entrelaçam no fundo.
No ciclo eterno, giram as horas,
Entre flores e sombras, a vida se tece,
Persefone brilha, mesmo em suas demoras.
José morre no dia-a-dia, em sua dor,
Mas renasce nesta primavera, ouvindo Maysa, em amor.
domingo, 26 de abril de 2026
Crônica: O Eco no Fundo do Abismo: O Poço das Vaidades Eleitorais
O Batismo do Espelho
Tudo começa com um "chamado". Raramente alguém
admite que quer o poder pelo prazer de mandar; o roteiro exige a narrativa do
sacrifício. "O povo me pede", dizem, enquanto ajustam a gravata ou o
lenço diante do espelho. Esse é o primeiro sintoma da distorção: a confusão
entre o "eu" e o "nós".
Aos poucos, o candidato deixa de ser um cidadão comum para se
tornar um monumento a si mesmo. O aperto de mão, que antes era um gesto de
conexão, vira uma ferramenta de marketing. O olhar, que deveria buscar as
carências da rua, passa a buscar apenas a lente da câmera.
A Alquimia dos Valores
No fundo desse poço, ocorre uma transmutação perigosa de
valores fundamentais. A ética, que deveria ser o norte, é substituída pela conveniência.
A verdade — aquela coisa rígida e teimosa — torna-se maleável, uma
"narrativa" a ser moldada conforme o sabor das pesquisas de opinião.
Nesse ecossistema de egos inflamados, a humildade é
vista como fraqueza e a escuta como perda de tempo. O político que se
lança no poço das vaidades passa a acreditar na própria hagiografia escrita por
seus assessores. Ele não quer mais servir à sociedade; ele quer que a sociedade
seja o cenário onde ele brilha sozinho.
- A
Solidariedade
vira assistencialismo estratégico.
- A
Justiça vira o
silenciamento dos opositores.
- O
Diálogo vira um
monólogo interrompido por aplausos ensaiados.
O Reflexo Turvo da Sociedade
O mais trágico não é apenas a transformação do indivíduo, mas
como isso distorce a percepção coletiva. Quando a vaidade se torna a moeda
corrente da política, a sociedade passa a aceitar o espetáculo no lugar da
gestão.
Começamos a admirar o "salvador da pátria" que fala
grosso, ignorando o gestor silencioso que resolve o problema do saneamento
básico. Valorizamos a lacração no post de rede social em detrimento do projeto
de lei bem fundamentado. A vaidade do político encontra eco na carência de um
povo que, muitas vezes, prefere o brilho do ouro falso à solidez do caráter.
O Fundo do Poço
O problema de mergulhar no poço das vaidades é que, lá no
fundo, o ar é rarefeito. O político isola-se em uma bolha de
"sim-senhores" e perde o contato com a realidade nua e crua das
calçadas.
Quando os valores fundamentais — como a honestidade
intelectual e a empatia real — são sacrificados no altar da autocelebração, o
que resta é um castelo de cartas. E, como toda estrutura baseada no ego, basta
um sopro da história para que ela desmorone, deixando para trás apenas o rastro
de uma sociedade que esqueceu como é ser representada por seres humanos, e não
por estátuas de si mesmos.
No fim das contas, o maior desafio da política moderna não é
vencer as eleições, mas conseguir atravessá-las sem se perder no caminho entre
o palanque e o espelho.
Edno Paula Ribeiro – Cad. 15 – AGL-MB
sexta-feira, 20 de março de 2026
Entre Conquistas e Conflitos: o Lugar das Mulheres na Atualidade
terça-feira, 17 de março de 2026
Antes de Existir, Já Resistia
Crônica: O Eco no Fundo do Abismo: O Poço das Vaidades Eleitorais
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Do fundo do poço ainda ouço Grito esgoelado Moendo memória de tempo ido Destruído E deixado destroços em desalinho pelo caminho. Do...
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Catei pedaços de mim. Espalhados pelos cantos onde andei. Vestígios. Vestes rasgadas. Versões minhas que ficaram pelo chão. Cada qual com su...





