mágoa impregnada.
repintar?
entre pincéis,
silêncio.
da paleta,
escorrem
tintas,
lembranças?
lágrimas,
aguarrás.
Destina-se à publicações da Academia Goiana de Letras Ciência e Cultura dos Militares do Estado de Goiás - Coronel Mauro Borges Teixeira.
Nos reinos sombrios, onde a sombra habita,
Persefone dança, flor que nunca se apaga,
A luz do verão, em seu ser, se agita,
Mas ao outono, seu encanto se entrega.
Hades, senhor das almas, em seu trono,
Recebe a rainha com amor profundo,
No mundo subterrâneo, o amor é o dono,
E a vida e a morte se entrelaçam no fundo.
No ciclo eterno, giram as horas,
Entre flores e sombras, a vida se tece,
Persefone brilha, mesmo em suas demoras.
José morre no dia-a-dia, em sua dor,
Mas renasce nesta primavera, ouvindo Maysa, em amor.
O Batismo do Espelho
Tudo começa com um "chamado". Raramente alguém
admite que quer o poder pelo prazer de mandar; o roteiro exige a narrativa do
sacrifício. "O povo me pede", dizem, enquanto ajustam a gravata ou o
lenço diante do espelho. Esse é o primeiro sintoma da distorção: a confusão
entre o "eu" e o "nós".
Aos poucos, o candidato deixa de ser um cidadão comum para se
tornar um monumento a si mesmo. O aperto de mão, que antes era um gesto de
conexão, vira uma ferramenta de marketing. O olhar, que deveria buscar as
carências da rua, passa a buscar apenas a lente da câmera.
A Alquimia dos Valores
No fundo desse poço, ocorre uma transmutação perigosa de
valores fundamentais. A ética, que deveria ser o norte, é substituída pela conveniência.
A verdade — aquela coisa rígida e teimosa — torna-se maleável, uma
"narrativa" a ser moldada conforme o sabor das pesquisas de opinião.
Nesse ecossistema de egos inflamados, a humildade é
vista como fraqueza e a escuta como perda de tempo. O político que se
lança no poço das vaidades passa a acreditar na própria hagiografia escrita por
seus assessores. Ele não quer mais servir à sociedade; ele quer que a sociedade
seja o cenário onde ele brilha sozinho.
O Reflexo Turvo da Sociedade
O mais trágico não é apenas a transformação do indivíduo, mas
como isso distorce a percepção coletiva. Quando a vaidade se torna a moeda
corrente da política, a sociedade passa a aceitar o espetáculo no lugar da
gestão.
Começamos a admirar o "salvador da pátria" que fala
grosso, ignorando o gestor silencioso que resolve o problema do saneamento
básico. Valorizamos a lacração no post de rede social em detrimento do projeto
de lei bem fundamentado. A vaidade do político encontra eco na carência de um
povo que, muitas vezes, prefere o brilho do ouro falso à solidez do caráter.
O Fundo do Poço
O problema de mergulhar no poço das vaidades é que, lá no
fundo, o ar é rarefeito. O político isola-se em uma bolha de
"sim-senhores" e perde o contato com a realidade nua e crua das
calçadas.
Quando os valores fundamentais — como a honestidade
intelectual e a empatia real — são sacrificados no altar da autocelebração, o
que resta é um castelo de cartas. E, como toda estrutura baseada no ego, basta
um sopro da história para que ela desmorone, deixando para trás apenas o rastro
de uma sociedade que esqueceu como é ser representada por seres humanos, e não
por estátuas de si mesmos.
No fim das contas, o maior desafio da política moderna não é
vencer as eleições, mas conseguir atravessá-las sem se perder no caminho entre
o palanque e o espelho.
Edno Paula Ribeiro – Cad. 15 – AGL-MB
Dizem que o poder não muda as pessoas, apenas as revela. Mas, na política, essa revelação costuma vir acompanhada de um fenômeno óptico curi...