quinta-feira, 2 de maio de 2024

DISCURSO DE POSSE NA CADEIRA Nº39 CORONEL HÉLIO TEIXEIRA, DA ACADEMIA GOIANA DE LETRAS MILITAR

 

Em nome de Deus, clemente e misericordioso, criador dos céus e da terra e com ele o poder e a glória!

“Não cora o livro de ombrear com o sabre, nem cora o sabre de chamá-lo irmão!” (Castro Alves)

Saúdo às autoridades presentes a começar por Deus Todo Poderoso, razão de ser da nossa existência.

Aqui faço um parêntese para saudar também a PMGO, primeiro órgão público do Estado de Goiás, eis que aqui se encontra desde a segunda metade do século XVIII, quando este Estado era apenas Capitania jungida à Capitania de Minas Gerais, quando de lá recebeu um pequeno Piquete de Cavalaria para fazer a segurança das estradas e dos poucos povoados existentes: Arraial de Santana, Meia Ponte, etc., razão de nossa presença aqui hoje, saúdo também o Sr. Coronel Marcelo Granja, seu atual comandante e saúdo em nome do Coronel Divino Alves, todos os ex-Comandantes Gerais, que deram o melhor de si para o engrandecimento da nossa instituição.

Saúdo também a família do Coronel Hélio Teixeira, na pessoa de sua filha Heliana Teixeira.

Também saúdo as Dras. Advogadas Ediméia Lima Belo de Aragão Lira e Thays Belo de Aragão e Lira, a primeira minha amada esposa e companheira de quase 39 anos, a quem devo todos as vitórias de minha vida; a segunda, minha amada filha, ela que é a aurora e estrela matutina de minha vida.(ainda ao Dr. Beremiz Belo de Aragão e Lira, advogado e também meu filho, que afazeres outros o impediram de aqui comparecer)

Devo vos dizer que estou muito honrado por ter sido convidado para integrar este excelso grêmio e devo isso ao Coronel Divino Alves pela indicação e aos livros que escrevi, os quais se tornaram manuais na Corporação nas áreas do direito disciplinar e processo penal militar.

Um panegírico ao ilustre Coronel Hélio Teixeira, há de passar, obrigatoriamente por sua biografia, tendo ele duas, uma privada e outra pública, necessariamente abordaremos fatos inerentes à vida do cidadão Hélio Teixeira primeiramente.

Pois bem, Hélio Teixeira, filho do Sr. Benedito Teixeira e de Dna. Alzira de Carvalho Teixeira, nasceu na vizinha cidade de Santa Cruz, neste Estado, aos 19 de abril de 1922.

Hélio Teixeira teve a ventura de vir ao mundo em uma família onde se respirava cultura, uma vez que seu genitor, além de servidor público do Fisco, era também advogado, aliás a sua 

inscrição na OAB/GO, data de 22 de julho de 1932, recebendo a esta o número 17, sendo portanto um dos fundadores desta nobre instituição em Goiás.

Recebeu o pomposo nome Hélio, originário do idioma grego antigo que significa o Sol ou mesmo o deus Sol, haveria de brilhar, como realmente brilhou nestas Terras Anhanguerinas, dada a sua rica e profícua vida de labor em prol do engrandecimento de nossa tão querida e bem-amada pátria.

Há que se ressaltar que esta é também uma família de ilustres militares e políticos, eis que Hélio Teixeira é cunhado do também Coronel Getulino Artiaga, que também foi político e, além disso é patrono da cadeira de nº 1 desta excelsa Academia. 

Também tem parentesco com o Senador Osíres Teixeira, Primo do Coronel Mucio Teixeira, sendo também tio-avô do Coronel José Lemos da Silva Filho, o nosso amado Coronel Lemos, presidente ilustre dessa nobilíssima Academia. 

Tendo fixado residência nesta capital, além das atividades profissionais, as quais abordaremos proximamente, se casou com Dna. Irene Anacleto Teixeira; desse Conúbio tiveram três filhas: Lílian Teixeira, Heliana Teixeira e Magalí Teixeira.

Todos cumprem seu destino; quis este que Hélio convolasse núpcias com Irene, que também no grego antigo, tem o sentido de Paz, muito embora Dna. Irene fosse uma mulher muito enérgica, era paz, ainda que armada, mas era paz e, na verdade a paz só existe se estiver armada (se vis pacem parabélum). Essa paz enérgica foi quem cimentou o caminho do sol/Hélio até os pícaros de sua laboriosa vida.

Paralelamente à vida pública, Hélio Teixeira foi um desportista, amante da esgrima, da equitação e do ludopédio e neste atuou como jogador nos Club Campinas e Atlético Goianiense, tornando se técnico em 1951 do Club S. Francisco de Anápolis e em 1953, preparou a Seleção de Goiás, ainda no posto de Tenente Coronel.

Como não poderia deixar de ser, uma vez tendo, honradamente, se retirado da vida pública, passou a exercer, como seu pai, a profissão de advogado, honrado com seu dedicado trabalho, como o fizera seu genitor as fileiras da OAB/GO.

Na vida pública, temos que Hélio Teixeira, uma vez fixado residência em Goiânia, por influência de seu cunhado Getulino Artiaga, incluiu-se nas honrosas fileiras da Polícia Militar, então denominada Força Pública, na graduação de soldado em 19 de junho de 1935.

Mercê de seus esforços, estudo e dedicação, na condição de Praça, foi promovido às seguintes graduações: Cabo de Esquadra em 3 de agosto de 1935; 3º Sargento em 31 de dezembro de 1936; 2º Sargento em 8 de março de 1939; Aspirante a Oficial PM em 11 de março de 1942.

Na condição de Oficial, foi promovido aos seguintes postos: 2º Tenente em 12 de agosto de 1942; 1º Tenente em 1 de outubro de 1945 por merecimento; Capitão em 11 de setembro de 1946 por merecimento; major em 18 de julho de 1951 por antiguidade; Tenente Coronel em 25 de março de 1953; Coronel em 28 de janeiro de 1959.

Durante a sua carreira, exerceu diversos cargos e comandos, dos quais se destacam: Delegado Especial no município de Anápolis, no posto de Major, no ano de 1951; Serviu no Departamento de Instrução , antigo DI, embrião da atual Academia da Polícia Militar, neste mesmo ano, sendo posteriormente Comandante do DI, já no posto de Tenente Coronel; membro do Conselho Permanente de Justiça Militar; Sub Chefe do Estado Maior, delegado especial no município de Itumbiara, Buriti Alegre e Natividade; Comandante do 1º BPM; Chefe do Gabinete Militar.

Graduou-se também em Direito, tendo realizado também o curso de criminalística em São Paulo.

O Coronel Hélio Teixeira, após longos anos servindo à policia militar, retirou-se para a vida privada, inativando-se em 28 de janeiro de 1959.

Mas, se havia deixado as fileiras da Corporação que o acolheu ainda menino, no distante ano de 1935, Hélio Teixeira inicia nova carreira, agora a de advogado criminalista e, nesta permaneceu, até que entidade nosocômica pertinaz que zombou de todos os recursos e esforços da ciência lhe ceifou a vida mal completara a idade de 70 anos.

Mas homens como o Coronel Hélio Teixeira nunca morrem, pois, seu legado permanece vivo não só nas pessoas de suas filhas, netos e bisnetos.

A sabedoria Indu estabelece que “por um filho, um homem ganha mundos celestes; pelo filho de um filho ele obtém a imortalidade, pelo filho desse neto, ele se eleva à morada do Sol” e é nesta morada que se encontra o sol Hélio, como também por sua rica e pródiga folha de serviços prestados à nossa tão querida e bem-amada pátria.

Além de que, sendo patrono de uma cadeira em uma Academia de Letras, como ora se vê, alcança também a imortalidade, pois mesmo que esta Academia, por um infortúnio qualquer se dissolva, a sua história permanecerá, como permanece a Platônica e o Liceu, mesmo após mais de 20 séculos, bem como permanecerá a história do herói Hélio Teixeira; estirpe augusta de antigos heróis. 

Ὁ βίος βραχύς, ἡ δὲ τέχνη μακρή, ὁ δὲ καιρὸς ὀξύς, ἡ δὲ πεῖρα σφαλερή, ἡ δὲ κρίσις χαλεπή. (Ἱπποκράτης)

"A vida é breve, a arte é longa, a oportunidade passageira, a experiência enganosa, e o julgamento difícil." (Hipócrates)

Goiânia, 30 de março de 2024

Domingos Aragão Lira - Coronel PM

Acadêmico Fundador da Cadeira nº 39

Um comentário:

Coronel Divino Alves disse...

Senhor Coronel Aragão
Bom dia Comandante!
Paz e bem!
Mais uma vez vejo, no senhor, a sabedoria do policial militar mais antigo e experiente, ensinando e apontado o caminho para os policiais mais novos; no caso, eu.
Ontem durante o discurso de posse do senhor, na AGL-MB, pude ouvir, ver, sentir, degustar e tocar no zelo, carinho e apreço que o senhor tem por nossa Instituição Mãe, a Polícia Militar.
Normalmente, nos meus textos, em público, não me refiro a ela, Polícia Militar, como uma persona e a saudá-la, como o senhor o fez ontem à noite. E o senhor o fez, como ato primeiro: E foi lindo!!
Foi muito bom, e enriquecedor ser chamado das nuvens à terra, e voltar ao primeiro amor, pois como diz aquele velho espelho lá na Academia...."O espelho reflete você! Você reflete a PM"
Para muitas pessoas ali presentes, quer sejam Policiais Militares ou não, talvez tenha passado despercebido tal fato, mas a mim não passou, e sou lhe grato, por isso: Por me mostrar, que se estou a participar de uma Academia de Letras dos *Militares do Estado de Goiás*, é total e exclusivamente em virtude dela PMGO.
Se estou a ocupar uma de suas cadeiras, não é em em decorrência do ser "Divino" que pensam que sou ou fui, mas em virtude do Coronel que sou e sempre serei. (Desculpa o trocadilho, pois meu nome é Divino),
Vibrei, quando o senhor, mesmo na ausência de personalidades que em tese, poderiam estar ali, as cumprimentou, e o fez, eu sei, no mais estrito respeito à disciplina e hierarquia: Pilares da nossa instituição.
Amei também quando da sua fala, afirmou que a paz é feita sim com os livros, mas que esta, sem a força, é quimera. E, a Força a que o senhor se referia, dentre tantas outras, é também a PMGO.
Aprendi muito com senhor, devorando seus livros, durante minha vida de oficial no serviço ativo, e hoje na reserva, em especial na noite de ontem, aprendi ainda mais: A valorizar e respeitar sobremaneira o "Ventre Institucional" onde fui gerado, algo que só os Grandes Líderes, que viveram dias amargos e dias de mel em suas carreiras, e por isso, com autenticidade, maestria e comandamento, podem ensinar aos pequenos, aos que chegaram depois.
Finalizo, relembrando a fala de um outro grande comandante: "Se não me recebem fardados, à paisana não me receberão, pois não me farei presente!"
Hoje, já na reserva, eu já não uso a farda, o pano, mas que bom que o senhor me relembrou que ela é minha pele, não a segunda pele, mas a pele!

Ao senhor, meu respeito e minha continência sempre.

Respeitosamente,
Coronel Alves.

DISCURSO DE POSSE NA CADEIRA Nº 08 BERNARDO ÉLIS, DA ACADEMIA GOIANA DE LETRAS MILITAR

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